O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, depõe na CPI da Petrobras(Ueslei Marcelino/Reuters)
Investigada na Operação Lava Jato por ter recebido ao menos 1,5 milhão de reais desviados da Petrobras e da Sete Brasil, a Editora Gráfica Atitude Ltda é uma sociedade mantida por dois sindicatos umbilicalmente ligados ao PT: o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Os sindicatos são sócios e indicam os diretores da gráfica – quase todos filiados ao PT e sempre dirigentes dos sindicatos.
Aliado do ministro Ricardo Berzoini (Comunicações), o ex-deputado paulista Luiz Claudio Marcolino (PT) comandou a gráfica, assim como José Lopez Feijó, que era assessor especial da Secretaria Geral da Presidência com o ex-ministro Gilberto Carvalho.
A empresa mantém veículos de imprensa alinhados com o governo federal e com o PT como a Rede Brasil Atual, a Rádio Brasil Atual e a Revista do Brasil. Em 2012, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou em 15.000 reais cada, a editora e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), por propaganda irregular nas eleições presidenciais de 2010.
Na ocasião, o TSE entendeu que a Revista do Brasil e o Jornal da CUT, impressos na gráfica, eram peças de propaganda ilícita favorável à presidente Dilma Rousseff e conteúdo negativo sobre senador José Serra (PSDB), à época adversário de Dilma na disputa da Presidência da República.
Em depoimento no último dia 31 de março, Augusto Ribeiro Mendonça, um dos executivos da Setal Óleo e Gás presos no petrolão, revelou ao Ministério Público que fez pagamentos da ordem de 2,5 milhões de reais à gráfica a mando do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, preso nesta quarta-feira pela Polícia Federal.
Ribeiro repassou o dinheiro em parcelas mensais entre 2010 e 2013. A operação foi simulada como compra de anúncios e , segundo os investigadores, tem características de lavagem de dinheiro e caixa dois. (Felipe Frazão, de São Paulo)
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