A filiação da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ao PMDB provocou nova revolta na bancada do partido na Câmara dos Deputados ontem. “A bancada não vê com bons olhos essa filiação. Ela quer usar a legenda como barriga de aluguel, sem nenhum interesse em fortalecer o partido”, disse o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha.
A entrada da senadora já tinha sido alvo de críticas dos deputados há duas semanas, quando a direção nacional tinha fechado a filiação. Kátia queria, porém, receber a presidência do diretório estadual, ideia que não agradou ao atual presidente, deputado Júnior Coimbra, que é pré-candidato ao governo do Estado.
Os adversários de Coimbra dizem, entretanto, que ele quer manter o diretório para levar o partido a apoiar o candidato do atual governador, Siqueira Campos (PSDB), o que deixaria Dilma sem palanque forte no Tocantins. A possibilidade de intervenção de do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e do diretório nacional do PMDB levou a críticas de deputados de outros nove Estados que estavam insatisfeitos com o que consideram uma submissão do partido aos planos do PT para manter a vice-presidência da República.
Diante das resistências internas, a senadora desistiu, na época, de ingressar no PMDB. Mas já tinha rompido os laços com o PSD, que é vice do governador Siqueira Campos – o filho da senadora, que era secretário estadual, foi demitido do cargo.
Temer voltou a negociar a filiação de Kátia na noite de terça-feira, em reunião que teve ainda a presença do presidente interino da sigla, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e do ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda (PMDB). Ficou acertado que ela teria a legenda, mas não o comando do partido no Estado.
A senadora deu 99% de certeza de que iria para o partido, segundo pessoas que participaram da reunião, e ficou e anunciar a filiação até hoje. Entretanto, ela viajou para Palmas ontem e não tinha dado resposta aos pemedebistas até o fechamento desta edição.
Pesa na decisão de Kátia de ir para o PMDB a vontade de ser ministra da Agricultura – o posto atualmente é ocupado pelo deputado federal licenciado Antônio Andrade (PMDB-MG). Pemedebistas veem o dedo da presidente Dilma Rousseff, de quem a senadora é próxima, na escolha.
Na composição desenhada na terça-feira, Kátia tentaria a reeleição para o Senado e Miranda a disputa pelo governo do Estado. Miranda, porém, pode ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa porque teve o mandato de governador cassado em 2009 por abuso de poder político. Nesse caso, Kátia poderia disputar o governo para dar palanque a Dilma e a esposa de Miranda, Dulce, concorreria ao Senado.
Essa composição, porém, depende ainda da pacificação do clima na bancada da Câmara. Ontem, deputados ameaçavam convocar o diretório nacional para decidir se a filiação seria aceita. Com isso, pretendiam assustar a senadora, que colocaria em risco sua candidatura se forçasse a troca.
Leia mais em:
http://www.valor.com.br/politica/3292344/deputados-do-pmdb-se-rebelam-contra-senadora#ixzz2gfBPBNaB

