A intenção do Tribunal de Contas da União (TCU) de entender como os órgãos da administração federal escolhem os integrantes do alto escalão, de conselhos e de colegiados superiores provocou mal-estar na Esplanada dos Ministérios. Um levantamento com 27 páginas de perguntas para reunir informações e, a partir delas, aprimorar a gestão da máquina pública, contrariou dirigentes responsáveis pela administração, que passaram a questionar a metodologia e até os objetivos da pesquisa.
Na manhã de ontem, representantes da Casa Civil e do Ministério do Planejamento participaram no tribunal de reunião para “tirar dúvidas” sobre a trabalho. O encontro, porém, acabou se transformando em um protesto contra os questionamentos do TCU. Instados a listarem as características e competências levadas em conta na hora de indicar membros da alta administração, os dois órgãos não forneceram as informações e colocaram em dúvida os conceitos adotados pela corte. “Chegaram a dizer que não podiam expor o governo”, contou um dos presentes.
Em documento entregue ao tribunal, o secretário executivo da Casa Civil, Valdir Moysés Simão, propõe mudanças, “em favor da clareza, consistência e integridade do levantamento”. Simão não economiza críticas aos termos usados na pesquisa e chega a questionar “como as informações consolidadas serão tabuladas, apreciadas e publicadas pelo tribunal”.
A reação causou estranheza ao especialista em gestão pública Gil Castelo Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas. “A consulta do TCU é plenamente válida, até porque grande parte dessas funções são preenchidas politicamente, sem qualquer preocupação de mérito”, disse ele.
Em nota, a Casa Civil voltou a mencionar a necessidade de “maior precisão nos conceitos” para que as respostas sejam consistentes. O Ministério do Planejamento, também por meio de nota, afirmou que nenhum representante se manifestou contra a realização da pesquisa. O TCU informou que o objetivo da reunião foi o de “esclarecer dúvidas quanto à pesquisa e quanto ao preenchimento do questionário”.

