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Deputada do Rio: “Eu não estou roubando dinheiro p’rá mim”

RIO – O corregedor da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Comte Bittencourt, instaurou, nesta terça-feira, uma sindicância para apurar as denúncias envolvendo a deputada estadual Janira Rocha (PSOL). A parlamentar, seus dois ex-assessores que foram detidos e provavelmente a secretária de Defesa do Consumidor, Cidinha Campos (PDT), serão chamados para depor. A deputada do PSOL pediu o afastamento da presidência do Diretório Estadual e da liderança do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A decisão, tomada durante reunião da Executiva estadual, foi acatada pelo partido nesta terça-feira. Ela será subistituída interinamente pelo secretário-geral Rogério Norberto da Cunha Alimandro no cargo de presidente do Diretório Estadual do PSOL. Já a liderança da bancada na Alerj ficará com o deputado Marcelo Freixo.

 

 

A deputada Janira Rocha atribuiu o caso a disputas políticas no Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindsprev-RJ), do qual ela já foi diretora, e ainda ao fato de Cidinha Campos ser sua adversária política. Janira, no entanto, admite que eventualmente pediu para que assessores contribuíssem com somas de dinheiro para atividades relacionadas a seu trabalho parlamentar. A deputada afirmou, ainda, que militantes do PSOL ligados aos ex-assessores a estavam chantageando e, por conta disso, ela já encaminhara uma denúncia ao Ministério Público.

Não adianta me ameaçar, não adianta me pressionar. Eu não faço nada nesse mandato de que eu possa me envergonhar. Pode até ser que algumas coisas que são feitas aqui, como a cotização, que não seja legal pra fora. Mas isso não me envergonha. Eu não estou roubando dinheiro pra mim – disse a deputada.

 

 

No entanto, o corregedor da Alerj adiantou que, independentemente da investigação, as reportagens já demonstravam que houve quebra de decoro parlamentar. Comte observou que, caso fique definida uma punição para a deputada, o parecer ainda terá que passar pelo Conselho de Ética, pela Mesa Diretora e pelo plenário da Casa. Entre as punições previstas no regimento, estão advertência, suspensão e perda de mandato. O novo líder do PSOL, Marcelo Freixo, também solicitou uma investigação à corregedoria.

 

 

Em nota divulgada na tarde desta terça-feira, a Executiva Estadual do PSOL no Rio anunciou que Marcos Paulo Alves e Cristiano Ribeiro Valladão, ex-assessores da deputada Janira Rocha acusado e tentar vender um dossiê contra a parlamentar, tiveram o pedido de expulsão encaminhado à Executiva Nacional, assim como o pedido de abertura de Comissão de Ética para investigar todos os envolvidos nas denúncias.

 

 

A deputada pediu o afastamento da presidência do Diretório Estadual e da liderança do PSOL na Alerj durante uma reunião do partido realizada na manhã desta terça-feira. A Comissão de Ética do partido também vai investigar denúncias feitas pelos dois ex-assessores da deputada.

 

 

Em entrevista à Rádio CBN, o deputado Marcelo Freixo disse que Janira foi orientada pelo partido para que tornasse pública a denúncia de extorsão. Ele acrescentou que nesta segunda-feira o partido obteve mais informações sobre o caso, mas ressaltou que nenhum membro do PSOL teve acesso ao conteúdo do dossiê.

– A deputada já chegou à reunião pedindo a renúncia da presidência do Diretório Estadual e da liderança do partido na Alerj. Foi pedida também uma Comissão de Ética, que já foi aprovada e vai averiguar com prioridade absoluta o caso. Não vamos ser conivente com qualquer tipo de crime – disse o deputado à CBN.

 

 

Segundo Freixo, a Comissão de Ética nacional vai apurar tanto a conduta dos que fizeram o dossiê contra Janira quanto o conteúdo das denúncias. O deputado disse que foi pedida a expulsão de outras sete pessoas além dos dois ex-assesores da deputada Janira Rocha detidos nesta segunda-feira.

– O partido vai procurar a delegacia responsável, vamos acompanhar as investigações. Queremos uma apuração rigorosa de tudo que foi dito. Os membros do partido que fizeram a extorsão, que tentaram vender o dossiê, tiveram a expulsão aprovada imediatamente. São nove pessoas envolvidas, e todas serão expulsas do partido – afirmou Freixo.



Os dois ex-assessores da deputada Janira Rocha foram detidos por agentes da Delegacia de Polícia Fazendária na noite desta segunda-feira. Cristiano Valadão e Marcos Paulo Alves são acusados de querer vender, por R$ 1,5 milhão, documentos que comprometeriam Janira. Eles foram detidos no gabinete de Cidinha Campos que, assediada pela dupla há uma semana, marcou outro encontro e chamou a polícia.

 

 

O dossiê aponta supostas irregularidades na prestação de contas na última eleição da deputada. Mostra ainda a suposta prática de cotização do salário dos funcionários, que é o repasse de parte do pagamento para a parlamentar.

 

 

Na delegacia, Marcos Paulo afirmou que, do salário de R$ 7.200, R$ 4 mil eram devolvidos.

– Porque fazia a cotização, dizia que era para os nossos projetos, para as nossas coisas e no final não tinha nada disso – disse o ex-assessor Marcos Paulo. – Ela fez um acordo político. A proposta de cotização foi para que a gente bancasse o nosso movimento popular. Isso nunca aconteceu.

 

 

No dossiê, além de documentos, Marcos Paulo e Cristiano juntaram fitas de áudio, gravadas durante conversas com a deputada. Em uma gravação, Janira Rocha admite que a cotização é uma prática comum no gabinete dela.

“Eu não faço nada dentro deste mandato que eu possa me envergonhar, pode até ser que tem algumas coisas que são feitas aqui, como a única, que é a cotização, que não é legal lá fora, entendeu? Mas isso não me envergonha, não me envergonha, eu não estou roubando dinheiro pra mim, entendeu? Eu não estou roubando dinheiro pra mim”, afirmou Janira em uma gravação.

 

 

Em outra escuta, a deputada afirma que usou dinheiro do Sindicato dos Previdenciários do Rio, do qual foi diretora, para a campanha eleitoral. E propõe a elaboração de um relatório para disfarçar o uso ilegal da verba.

A gente pode botar no relatório que o dinheiro foi para atividades políticas, mobilizadoras, não pode dizer que foi pra construção de PSOL. Foi para disputa, para eleger deputado. Isso não pode, isso é crime, então é um crime tanto do sindicato quanto um crime nosso, né? Crime eleitoral“, diz a deputada numa gravação.


Confira a matéria em:

http://oglobo.globo.com/rio/sindicancia-na-alerj-vai-apurar-denuncias-sobre-deputada-do-psol-9802337#ixzz2dsrYcHX7