União dos Auditores do Tribunal de Contas da União

MEC quer Enem 2010 sem licitação Para ministro Haddad, exame exige contratação de empresas de excelência, em vez de privilegiar menor preço

O ministro Fernando Haddad (Educação) defendeu ontem que a escolha da empresa que realiza o Enem não seja mais feita por meio de licitação.
“A provocação que nós levamos ao TCU [Tribunal de Contas da União] é que o Enem não pode ser licitado. Temos que contratar empresas de excelência para o exame”, afirmou.
Para o ministro, a modalidade de concorrência pública, que privilegia o melhor preço, poderia colocar em segundo plano a qualificação da empresa.
“Quando começa a haver disputa pelo serviço, você pode correr o risco de alguém que formalmente consiga cumprir os requisitos do edital não ter condições de oferecer as garantias necessárias para a boa execução do contrato”, disse.
Desde 1998, o Enem é realizado pela Fundação Cesgranrio. Neste ano, a entidade desistiu de participar da licitação alegando que os 78 dias entre a concorrência e o exame eram exíguos demais, uma vez que duas semanas poderiam ser tomadas por recursos de uma empresa contra a outra.
A nova edição do Enem, agora, será feita pela fundação em parceria com o Cespe, ligado à Universidade de Brasília, por meio de contrato emergencial.
Esse esquema foi definido por Haddad como “o plano A do MEC”, que não pôde ser executado por causa da licitação. “Toda a recomendação dos órgãos de controle, que eu considero legítima, era fazer licitação. E uma licitação envolve esse tipo de risco: você contratar eventualmente alguém que não esteja 100% apropriado.”
Para o Enem do ano que vem, ele afirmou que será preciso discutir a viabilidade do processo licitatório tradicional com o Tribunal de Contas da União e a CGU (Controladoria-Geral da União).
Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), primeiro ministro da Educação do governo Lula, Haddad está certo do ponto de vista técnico, mas a ausência de licitação pode gerar desconfiança e não eliminará totalmente o risco de fraude.
Ele defende uma avaliação seriada, em que os alunos seriam selecionados para a universidade por meio de uma prova a cada ano do ensino médio. Segundo ele, isso diminuiria o peso de uma só prova.