União dos Auditores do Tribunal de Contas da União

BNDES pode dobrar participação no MARFRIG

SÃO PAULO – Um dos “protegidos” do governo federal desde a era Lula, o Marfrig (MRFG3) pode ter uma alteração significativa em sua estrutura societária nos próximos 3 anos, caso o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) – maior credor do frigorífico – opte por converter suas novas debêntures em ações. Na última quarta-feira (22), os acionistas da empresa aprovaram a 5ª emissão de debêntures conversíveis em ações, no montante de R$ 2,150 bilhões, com o intuito exclusivo de resgatar as de 2ª emissão, que tem o banco público como principal credor – com participação superior a 99%.

 

Em termos práticos, trata-se de uma “rolagem” da dívida da empresa, com o fim do pagamento previsto para 2017, sem juros contabilizados no primeiro ano. Isso dará um pouco mais de “fôlego” ao Marfrig, que tem preocupado o mercado com seu elevado nível de alavancagem, para pôr em dia suas contas. De acordo com as informações contidas na ata da última reunião e outros comunicados enviados pela companhia, os papéis serão emitidos já neste sábado (25) e terão como patamar mínimo de conversão para ações a cifra de R$ 21,50 por ativo ordinário – valor estabelecido pelo próprio BNDES, o maior detentor desses papéis de dívida.

 

A instituição de fomento do governo foi duramente criticada pelo mercado ao determinar um valor de referência tão acima ao atual patamar das ações do Marfrig – precificadas em R$ 4,90, segundo cotação da véspera, após uma forte sequência de 9 altas. Para eles, essa seria mais uma manobra do banco para benefício de uma empresa que não tem entregado os resultados esperados. No entanto, também vale ponderar que, caso as ações do frigorífico alcancem um patamar acima dos R$ 21,50 fixados até o vencimento de 2017, o BNDES pode se beneficiar, tendo a oportunidade de converter mais ações a um preço menor. Vale destacar que, para isso, o papel do Marfrig teria que sofrer valorização de 438,78% em 3 anos – algo muito pouco provável para a realidade do mercado.

 

No entanto, mesmo com o “empurrãozinho”, o BNDES pode se tornar o maior acionista do frigorífico. Ainda que a possibilidade de “troca justa” seja rara, a instituição passaria a deter 168,114 milhões da ações do Marfrig – 100 milhões a mais do que tinha, segundo dados disponíveis no site da BM&FBovespa – com a conversão fixada em R$ 21,50, o que provocaria um salto de 19,63% para 37,61%, quase o dobro. Com isso, o BNDES superaria a participação da Mms Participações, hoje o maior acionista da companhia, com 28,97% das ações em circulação no mercado.

 

Apesar de todas as especulações que possam ser feitas sobre esse assunto, se for levada em consideração a posição do BNDES com relação aos investimentos no Marfrig até hoje, não é muito provável que o banco público converta as debêntures em ações a fim de se tornar o maior acionista da empresa em 2017. Contudo, se isso acontecer, mais dúvidas virão sobre o futuro de um dos frigoríficos mais importantes do país.

 

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