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‘Derrota que não abate’, diz ministro

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse nesta quarta-feira (29) que a votação na Câmara dos Deputados que derrubou o decreto presidencial  que estabelece a consulta a conselhos populares por órgãos do governo antes da implementação de políticas públicas é uma derrota “que não abate” o governo.


Para Carvalho, a atitude do Congresso não significa “nada”, a não ser uma “vontade conservadora de impor uma derrota política” à presidente Dilma Rousseff. A rejeição à proposta ocorreu dois dias após a reeleição da presidente e é a primeira derrota do Palácio do Planalto no Congresso após as eleições.


O decreto sofreu críticas desde que foi editado pelo Palácio do Planalto, em maio deste ano. A proposta, que institui Política Nacional de Participação Social (PNPS), não cria novos conselhos, mas determinava que os órgãos do governo levem em conta mecanismos para a consolidação “da participação popular como método de governo“.


Não significa nada [a derrota], a não ser a vontade conservadora de impor uma derrota política à presidenta, mas uma derrota que não nos abate“, disse o ministro durante reunião do Conselho das Cidades, em Brasília.

 

Carvalho também afirmou que o Congresso atuou de maneira “resistente” e “anacrônica” ao aprovar o decreto legislativo que derrubou o decreto presidencial.


A meu juízo, nada mais anacrônico, nada mais contra os ventos da história, nada mais do que uma tentativa triste de se colocar contra uma vontade irreversível do povo brasileiro, que é a vontade da participação“, concluiu.


Antes da sessão da Câmara nesta terça, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) comentou a inclusão na pauta de um tema incômodo ao Planalto. Alves negou que votar o projeto dos conselhos fosse uma retaliação ao governo.


Nas eleições, Alves disputou o governo do Rio Grande do Norte, mas saiu derrotado. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a gravar propaganda eleitoral para o seu adversário.

Tem três meses que está na pauta [esse projeto]”, justificou Alves, em referência à aprovação, em julho, do pedido de urgência para votar o decreto.


Impasse
Oposicionistas acusavam o governo de tentar, com o decreto, aparelhar politicamente entidades da administração pública, além de diminuir o papel do Legislativo. Para pressionar a inclusão do tema na pauta, eles ameaçaram travar as votações na Casa até que a matéria fosse a plenário.


Por meio de votação simbólica, os parlamentares aprovaram um projeto de decreto legislativo apresentado pelo DEM que susta a aplicação do texto editado por Dilma. A discussão da matéria durou cerca de três horas, mas o texto ainda precisa de aprovação no Senado para que o decreto presidencial perca a validade.


Com a proposta em discussão no plenário, deputados do PT tentararam impedir que a votação fosse adiante, adotando vários mecanismos para obstruir a pauta, como a inclusão de requerimentos para serem votados e a uso da fala na tribuna para estender a sessão.


O líder do partido na Casa, Vicentinho (PT-SP), apresentou vários requerimentos, incluindo pedido de retirada de pauta, adiamento da votação e votação do decreto artigo por artigo. Um a um, porém, todos os requerimentos acabaram derrubados.


Na tentativa de atrasar a votação, parlamentares da base aliada se revezavam no microfone para defender o decreto da Dilma. Entre os defensores da proposta estavam o deputado Afonso Florence (PT-BA), que argumentou que a medida servia “para fiscalizar o Executivo”.


Sibá Machado (PT-AC), que foi um dos que pediram a palavra várias vezes, alegou que o decreto, “em nenhum momento, fere prerrogativas deste Congresso”.


A todo momento, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), intervinha e tentava apressar os discursos. “Não vou permitir esse tipo de manobra”, disse.


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