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Cerveró: Conselho cometeu ‘grave falha’

SÃO PAULO E CURITIBA – Preso desde quarta-feira na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró apresentou nesta sexta-feira à Justiça um parecer, formulado pelo advogado André Saddy, para se isentar de responsabilidade na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, na qual a Petrobras sofreu um prejuízo de US$ 792 milhões. Ele voltou a culpar o Conselho de Administração da estatal, então presidido por Dilma Rousseff, pelos erros na compra. Ele diz no documento que o Conselho cometeu “grave falha” na aquisição da refinaria, adquirida da Astra Oil em fevereiro de 2006.


Pode-se observar uma grave falha porque os membros do Conselho de Administração não tomaram a decisão da forma estabelecida no estatuto social da Petrobras. Sua deliberação deveria estar instruída com a decisão da Diretoria Executiva, as manifestações da área técnica ou do comitê competente e do parecer jurídica, e não estava”, diz o documento de Cerveró.


No ano passado, ao comentar o assunto, Dilma afirmou que o conselho autorizou a aquisição da refinaria americana com base num parecer falho elaborado por Cerveró. Para Cerveró, foi “negligente”.


O Conselho de Administração não observou as normas internas, imperativas da Petrobras, que regiam tais tipos de aquisições, o que demonstra uma violação do dever de diligência, pois seus membros não procederam com o devido zelo, assim agindo de forma negligente”, diz Cerveró. Segundo a defesa do ex-diretor, o Conselho agiu também “precipitadamente” no negócio.


Segundo o delegado Igor Romário de Paula, da Polícia Federal, que comanda a investigação da Operação Lava-Jato, Cerveró será ouvido novamente na próxima segunda-feira. Segundo ele, nos próximos dias pode ocorrer ainda um terceiro depoimento, este exclusivamente sobre Pasadena.

O depoimento de quinta-feira foi colhido em um primeiro momento. Quando o preso chega aqui, é dada a oportunidade a ele de apresentar sua versão. Agora, ele será confrontado com documentos apreendidos com ele, com os depoimentos dos demais detidos e com outras provas — disse o delegado.

 

Segundo ele, no próximo depoimento, Cerveró será inquirido de forma mais incisiva.

Pretendemos fazer um depoimento dele especificamente sobre Pasadena — disse o delegado, lembrando que em sua delação premiada, o ex-diretor Paulo Roberto Costa afirmou que Cerveró recebeu propina durante a compra da refinaria americana de Pasadena.


Ontem, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou habeas-corpus em favor de Cerveró.

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