A palavra mais usada por eles é “revolta”, negando o acordo brandido pelo governo nos últimos dias. “Estamos pagando para trabalhar” foi frase recorrente.

Print do material de divulgação do protesto dos caminhoneiros em Brasília, prometido para esta segunda-feira (2).
(Foto: Reprodução/Twitter)
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O motorista baiano Edson Vieira, 33 anos, afirmou que as condições do frete praticadas no país sempre foram ruins, mas agora são insustentáveis. Segundo ele, ao terem de arcar com a manutenção dos caminhões, com o pagamento de multas e com valores acrescidos ao combustível para poder usar meio eletrônico de pagamento dos donos das cargas, muitos caminhoneiros estão passando fome. Para piorar, os cartões que substituem a chamada carta frete só permitem saques de R$ 800 por dia. “As associações que fecharam acordo com o Planalto não nos representam. Eles nos traíram”, disparou.
João Pio, 44, caminhoneiro com residência no Rio Grande do Norte, também se aproxima de Brasília com o espírito armado. Ele revela que tem cinco filhos, mas só três poderão ir para a escola este ano, pois não conseguirá comprar material escolar para todos. “Estou há 18 anos na estrada e nunca sofri tanto“, lamentou. Prova disso é que vai ficar devendo à transportadora, porque tem um frete de R$ 700 a receber, gastou R$ 800 com gasolina e comida e ainda tem 18 multas para pagar, que somam R$ 3 mil. “Acabei de passar por bloqueios na Dutra (SP) e vou engrossar o movimento amanhã (hoje)”.
Com móveis na carroceria para serem entregues hoje na Justiça Federal, em Brasília, Paulo Rogério de Paula, 35, avisa que vai reforçar o protesto assim que descarregar. Ele veio de Belo Horizonte e também não se conforma com “a insensibilidade da presidente Dilma Rousseff“. Seu colega Tiago Aragão de Melo, 27, está há 21 dias nas rodovias e pegou dois bloqueios, na BR-153 (Belém-Brasília), e disse que todo seu dinheiro ficou no diesel, sem ter como pagar as refeições.
Primeiros manifestantes começaram a chegar ontem à noite em cidades do Entorno do DF, com palavras de ordem e caminhões estacionados em pontos de parada. Paulo Rogério era um deles: “vou engrossar o movimento“.
Os novos rumos dos acontecimentos se devem a erros em série do Planalto. Na quarta-feira, o governo se reuniu com líderes de entidades do setor, para negociar o fim dos bloqueios. Schmidt estava em Brasília, que se apresentou como líder do movimento, mas nem sequer pode entrar na reunião. O acordo anunciado de nada adiantou. No mesmo dia, o líder decretou a continuidade do movimento, que se agravou no Sul, incluindo a morte de um manifestante, no sábado. “Esse governo sacana chamou sindicatos pelegos do PT para uma reunião. A luta continua“, disparou ele.
Protesto segue em três estados
Enquanto que, no Distrito Federal, a greve dos caminhoneiros avançou neste domingo, em alguns estados, a paralisação perdeu força. O maior foco de desmobilização ocorreu no Rio Grande do Sul, onde, no sábado, um caminhoneiro morreu atropelado enquanto tentava impedir que um colega furasse o bloqueio durante protesto. Durante o dia, o Comando Rodoviário da Brigada Militar havia avisado que as rodovias estaduais estavam liberadas. No fim da tarde, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que também as estradas federais estavam aptas ao trafego. Mas, à noite, manifestantes anunciaram o bloqueio de trecho da BR-392, próximo ao município gaúcho de Canguçu.
A paralisação chegou ao fim no Mato Grosso do Sul, onde, após 12 dias de greve, caminhoneiros abandonaram o protesto após a PRF negociar a liberação das estradas. No Ceará, a tropa de Choque foi acionada para retirar motoristas que mantinham o bloqueio, havia dois dias, de trecho da BR 116, no km 213, próximo ao município de Tabuleiro do Norte. Houve confronto entre manifestantes e a polícia, que utilizou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Não há informação sobre feridos durante a ação.
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