A noite passada foi tensa em Brasília. Sem consenso, o governo decidiu votar o projeto do Marco Civil da Internet nesta quarta-feira. Quer fazer isso na base do vai ou racha. Mesmo que rachado. Em conversas telefônicas com os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, desaconselhou. Foi ignorado. Ouvido pelo blog perto das duas da madrugada, o deputado desabafou:
“O governo quer porque quer votar o Marco Civil nesta quarta-feira. Informei que não tem condições, porque vários partidos decidiram obstruir a votação. Não quiseram me ouvir. A Ideli e a turma dela pressionam os líderes e acham que vão conseguir. Tenho informações que o governo não tem. Ou estão desinformados ou não confiam no presidente da Câmara. Não sou sabotador. O governo erra novamente. Só não vai errar mais porque não vou deixar. Quem faz a pauta é o presidente da Casa. Não adianta o governo se esgoelar, pressionar ou fazer guerrilha. Não vou pautar o Marco Civil agora, só na próxima terça-feira”.
Henrique Alves acrescentou: “Hoje, o governo tem um enfrentamento com o PMDB. Quando a crise começa a serenar, querem enfrentar o presidente da Câmara. Pra quê? Estabelecer uma relação de desconfiança com um parceiro e aliado como eu não é, definitivamente, um bom caminho. Em vez de reduzir, estão querendo alastrar a crise. Não quero brigar com ninguém. Mas não há hipótese de votar o Marco Civil nesta quarta-feira”.
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