União dos Auditores do Tribunal de Contas da União

Ex-deputado assume cargo de conselheiro no órgão e promete fiscalização rigorosa dos gastos públicos

Com um discurso de que pretende avaliar cuidadosamente os casos que chegarem a suas mãos antes de determinar a suspensão de uma obra pública, o ex-deputado federal Paulo Tadeu tomou posse ontem como conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

 

“Precisamos fiscalizar para que não ocorram erros e desvios éticos no governo, mas não podemos prejudicar a população”, resumiu. Ele prometeu ainda manter o perfil que marcou a sua vida pública em três mandatos como deputado distrital e alguns meses como federal: fiscalização dos gastos públicos e combate à corrupção.

 

O novo conselheiro entende que, em muitos casos, o ato de ordenar a interrupção de um serviço serve apenas para criar canteiros de obras inacabadas, a exemplo do que ocorre em alguns pontos da capital federal. “Esse não pode ser o único antídoto. É preciso encontrar alternativas e determinar que se recupere o valor investido, até para não causar prejuízos ao erário”, destacou. A presidente da Corte, Marli Vinhadeli,
lembrou que existem sim outros caminhos, mas que o papel de fiscalização do tribunal é técnico. Ela apresentou um relatório com as licitações suspensas nos últimos anos, independentemente dos governos.

 

Em 2007, foram 100 de 190 (52,6%); em 2008, 84 de 136 (61,7%); em 2009, 96 de 174 (55,1%); em 2010, 122 de 204 (59,8%); em 2011, foram 66 de 147 (44,9%) e, este ano, 52 de 116 (44,8%).

 

Tadeu foi indicado pelo governador Agnelo Queiroz (PT) no fim de setembro passado para a vaga que surgiu com a aposentadoria de Ronaldo Costa Couto. O nome foi anunciado em tempo recorde pelo chefe do Executivo. Entre a confirmação do novo nome e a sabatina na Câmara Legislativa do DF (CLDF) — com aprovação por unanimidade —, foram apenas dois dias. “Ele é um importante ganho para a Corte de Contas do DF. Em toda a sua carreira, primou pela integridade e retidão de princípios. Além disso, Paulo Tadeu tem uma grande experiência política”, disse o governador, em discurso, durante a posse de seu ex-secretário de Governo.

 

Além de ter renunciado ao mandato de deputado federal (ainda ontem o petista Roberto Policarpo assumiu a vaga), Paulo Tadeu também teve de se desfiliar do PT, legenda que integrava desde a década de 1980 e pela qual ingressou na política. Em 1998, foi eleito para o primeiro mandato de distrital. Durante a posse no TCDF, no entanto, não lamentou o fato de ter que abandonar a vida política. “A minha função como conselheiro vai ser muito semelhante àquela que desenvolvi, agora, com o poder de julgar, de condenar. Tenho certeza absoluta de que, aqui, não daremos trégua para a corrupção”, garantiu.

 

A posse foi muito concorrida e lotou o auditório da Casa. Além da presença do governador, da primeira-dama, Ilza Queiroz, e de figuras do alto escalão do GDF — como o secretário-chefe da Casa Civil, Swedenberger Barbosa — ,ainda estiveram na cerimôniao senador Rodrigo Rollemberg (PSB), o deputado federal Policarpo e de distritais da base — preterido para a vaga, o também petista Wasny de Roure não apareceu. Os conselheirosque recepcionaram o novo colega foram a presidente, Marli Vinhadeli; Paiva Martins; Inácio Magalhães; Anilcéia Machado; Renato Rainha e Manoel de Andrade. Nascido em Sobradinho, em uma família de 12 irmãos, antes de ingressar na vida política,  Paulo Tadeu fez parte do movimento estudantil e sindical (foi funcionário concursado da Companhia Energética de Brasília —CEB).