BRASÍLIA – O líder do partido Solidariedade na Câmara, deputado Fernando Francischini (PR), afirmou nesta sexta-feira que vai apresentar novos requerimentos para ouvir os diretores dos fundos de pensão Postalis (dos Correios) e Funcef (da Caixa).
Depoimento da contadora Meire Poza – que trabalhou para o doleiro Alberto Youssef – revelado pelo GLOBO indica que houve interferência política do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do deputado André Vargas (ex-PT-PR) para fazer negócios com os dois fundos. As negociações, que renderiam R$ 50 milhões a Youssef, não foram adiante porque o doleiro acabou preso em março durante a Operação Lava-Jato, da PF.
— Vamos apresentar requerimentos para saber com quem os diretores dos fundos falaram — disse Francischini.
O deputado é autor de dois requerimentos, apresentados em maio na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) na Câmara, para apurar desvios no Postalis. Na época, o GLOBO mostrou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) havia aberto investigação para apurar operações fraudulentas ligadas ao fundo de pensão. Na ocasião, foi identificado um aporte de R$ 40 milhões, de 19 de dezembro de 2012, no Banco BNY Mellon por meio da gestora DTW Investimento LTDA, que teria sido direcionado pelo ex-diretor da fundação Ricardo Oliveira Azevedo após influência de Youssef, e dos donos da Tino Real Participação, Maria Thereza Barcelos da Costa e Eric Davi Bello, alvos da Operação Lava-Jato.
Francischini também reforçou a necessidade de ouvir o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que, assim como Yousseff, foi preso na operação da PF. Costa é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef e de superfaturamento na construção da reginaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Ele também é suspeito de intermediar contratos da Petrobras em negócios articulados entre grandes empreiteiras, prestadores de serviço e políticos. A ida de Costa à CPI depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), defende que o caso dos fundos de pensão também seja investigado na CPI da Petrobras. Segundo ele, são fatos interligados de um grande esquema de corrupção. O partido já pediu que Meire Poza preste depoimento na comissão, mas o requerimento até agora não foi votado.
— Você não pode deixar de pegar fios da meada que apareçam no decorrer do processo do doleiro ligado ao Paulo Roberto Costa. Isso é apenas mais um lance do desdobramento dessa vergonha nacional — afirmou Bueno.
Na estratégia do PPS, possíveis depoimentos de parlamentares envolvidos nas denúncias ficarão para depois.
— Para nós buscarmos mais informações, tem que ser Meire Poza e Paulo Roberto. Se não os ouvirmos antes, vamos patinar ao ouvir um senador, um deputado — disse o líder do PPS.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), não descartou que a CPI da Petrobras venha a investigar também as denúncias envolvendo os fundos de pensão. Mas destacou que o foco hoje é outro.
— A CPI está focada nesse possível depoimento do Paulo Roberto Costa. Obviamente se isso tiver substância, tiver uma vinculação direta com a Petrobras, poderemos investigar isso. Youssef já está convocado, é só marcar o dia para ir lá. A documentação, nós podemos pedir. Mas nesse momento a CPI está focada na delação premiada e no possível depoimento de Paulo Roberto Costa – afirmou o petista.
Bueno voltou a defender a ida de Paulo Roberto Costa à CPI, mesmo que ele fique calado.
— Todo mundo tem o direito de ficar calado. Paciência. Mas temos que pressionar para que as informações cheguem. E quem detém essas informações agora? Paulo Roberto Costa e Meire Poza — afirmou Bueno.
POSTALIS
O fundo de pensão dos Correios, o Postalis, confirmou em nota, nesta sexta-feira, que recebeu proposta de investimento na empresa Marsan Viagens. O Postalis afirmou, no entanto, que a proposta foi negada, e a decisão não foi tomada por conta da prisão doleiro Alberto Youssef , cuja ligação com a Marsan não era conhecida do fundo de pensão. “A decisão foi eminentemente técnica”, diz a nota.
Segundo a nota, a decisão foi tomada em reunião do dia 28 de abril de 2014. O doleiro foi preso no dia 17 de março pela Polícia Federal na operação Lava-Jato.
“O investimento teve parecer negativo por parte da equipe de analistas da área financeira e, em seguida, pelo Comitê de Investimentos do Postalis, conforme Ata de 28/04/2014 daquele Comitê. Não havia nada na documentação analisada que pudesse ligar o papel aos senhores Paulo Roberto Costa e/ou Alberto Yousef. O Postalis nunca teve conhecimento de que o investimento tivesse qualquer relação com essas pessoas“, diz o texto.
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