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Censura a dados gera crise no IPEA

A crise interna no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), iniciada com a proibição da divulgação de dados negativos para o governo no período pré-eleitoral, levou a mais um pedido de exoneração. Além de Herton Ellery Araújo, que colocou o cargo de diretor à disposição depois de ser impedido de apresentar estudo feito anualmente a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostrando que a pobreza extrema parou de cair no Brasil, Marcelo Medeiros também pediu para sair.

A carta de demissão do pesquisador — em que solicita deixar a vice-coordenadoria de Estudos de População, Desenvolvimento e Previdência — foi entregue em setembro ao chefe imediato. Embora não tenha abordado no documento o motivo do pedido, Medeiros expressou verbalmente, na presença de testemunhas, o descontentamento com o represamento de dados. Mesma razão que levou Herton a pedir demissão do cargo de diretor de Estudos e Políticas Sociais.

O imbroglio no instituto coincidiu com o início da campanha eleitoral, mas se agravou ao longo do último mês, quando o estudo de avaliação dos resultados da Pnad, que é feito e divulgado anualmente, ficou pronto. Entre as conclusões, uma tinha potencial para arranhar a principal vitrine do governo da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição: a pobreza extrema não caiu entre 2012 e 2013.


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