União dos Auditores do Tribunal de Contas da União

Black Bloc de aluguel

 

Daniel Marenco/Folhapress

O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, suspeitos de acender e atirar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, durante protesto no centro do Rio, na quinta-feira, 6, afirmou que manifestantes recebem dinheiro para participar dos atos. Ele confirmou que este é o caso de Caio. A manifestação foi contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade do Rio.

Nunes quer que a polícia investigue de onde vem o dinheiro que seria recebido pelos manifestantes para participar dos atos. Segundo ele, um outro manifestante teria dito a Nunes que os protestos iam se intensificar — e que haveria pagamento para quem se dispusesse a  participar.

“Investiguem determinados vereadores, determinados deputados estaduais [para saber] de onde sairia essa remuneração”, afirmou. “Existe um engendramento que fomenta e joga dinheiro nessas manifestações violentas. Isso deve ser investigado”, disse. O advogado informou, no entanto, que não vai usar essa informação na defesa dos dois jovens.

“Salário-manifestação”

Em entrevista para a Globonews, o advogado disse que os jovens pobres chegam a receber R$ 150 por manifestação. De acordo, ainda, com ele, ônibus iam buscar moradores de áreas pobres para participar dos protestos. 

Nunes também disse que rojões, máscaras e dinheiro são entregues por quem alicia esses jovens e que seus clientes “tiveram a liberdade tomada por quem fomenta o terrorismo social”. Tadeu Nunes afirmou que desconhece o nome de quem seria o responsável por aliciar os jovens e que seus clientes sabem apenas os apelidos deles. 

Já em entrevista para a Rede Globo, na manhã desta quarta, 12, o advogado declarou que Souza é um “jovem miserável financeiramente, de baixo discernimento, de ideais de mudar o mundo”, afirmou Tadeu. Ele também negou que Souza e Raposo sejam adeptos à tática Black Bloc. 

Souza admitiu, em entrevista à Rede Globo, que acendeu o rojão que atingiu o cinegrafista no protesto. Ele afirmou, no entanto, que não tinha a intenção de atingir ninguém e que pensou que o artefato era um “cabeção de nego” [um artefato que funciona como uma bomba e que não é projetado com um rojão].

 

Custos da defesa

O advogado foi questionado sobre quem pagaria a defesa de Souza e Raposo, já indiciados sob suspeita de homicídio doloso qualificado, por uso de artefato explosivo, e crime de explosão. “Eu mesmo vou pagar [as despesas jurídicas]. Eu não sou rico, eu vivo da minha prática, mas tenho três mil clientes. Mas não vai haver nenhuma cobrança [da defesa]”, afirmou.

Raposo está preso desde a noite de domingo, 9, e, Souza, foi detido na madrugada desta quarta, quando tentava ir da Bahia para o Ceará, onde ficaria a casa de seu avô.

Freixo

Em reportagem publicada pelo jornal O Globo, no domingo, Nunes informou ter recebido uma ligação da ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho. Nessa ligação, ela teria dito que um dos responsáveis por acender o rojão que matou o cinegrafista tinha ligações com deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). O deputado negou o fato e lembrou que Nunes representou o ex-deputado estadual Natalino Guimarães, que perdeu o mandato após investigações da CPI das Milícias em 2008, presidida por Freixo.  

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