![]() |
03/11/2009 |
|
Os órgãos técnicos do Congresso e do Tribunal de Contas da União (TCU) reagiram às afirmações de que a Corte estaria extrapolando a sua competência ao determinar a paralisação de um número elevado de obras públicas nos últimos anos. As críticas foram feitas por empresários, parlamentares, ministros e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado elaboraram um estudo afirmando que o TCU apenas cumpre a sua missão constitucional e que as paralisações são determinadas, na verdade, pelo Congresso. O secretário-geral de Controle Externo do TCU, Paulo Wiecher, reforça esses argumentos e lembra que, na realidade, o número de obras paralisadas tem diminuído nos últimos anos. Caiu de 88 em 2003 para 41 neste ano. “Não existe esse rigor. O que temos feito é dar seguimento às leis editadas pelo Congresso. E é bom que se diga que o percentual de obras com irregularidades vem caindo ano após ano, desde 2002, em relação ao total de obras analisadas. O que demonstra que não há qualquer tendência do TCU em perseguir quem quer que seja”, afirmou Wiecher. Ele acrescentou que o tribunal só sugere a paralisação em último caso. “Quando é detectada alguma impropriedade, mas temos consciência de que o prosseguimento não vai causar algum dano irreparável, é possibilitada a continuidade. Tanto assim que o TCU começou a adotar o sistema das retenções cautelares.” Apesar de ser uma recomendação, o fato é que o Congresso tem aceito 100% das sugestões feitas pelo TCU, como ressalta o secretário-geral. “Nos últimos anos, o Congresso até incluiu algumas obras em que nós havíamos sugerido a continuidade. Agiram com um rigor um pouco maior do que o nosso.” Ele não quis analisar a possível motivação das críticas feitas ao TCU. Sobre os argumentos de que a descoberta de “pererecas” a “machadinhas” teria paralisado obras, como declarou o presidente Lula, afirmou: “Essas questões foram colocadas de forma genérica. Não foram especificados os processos, e seguramente isso não ocorreu no âmbito do TCU. O caso da perereca, supostamente, se foi levantado, foi por entidade da área ambiental”. Fatos ou mitos A nota técnica lembra que o anexo de obras irregulares da Lei Orçamentária Anual teve origem em 1994, no escândalo do TRT/SP. Naquele caso, os problemas eram conhecidos dos órgãos de controle, mas o Congresso não tomou medida de proteção ao Tesouro. Recursos financeiros continuaram sendo alocados para uma obra em que eram evidentes os indícios de graves irregularidades. “Esse caso motivou o Congresso a rever os procedimentos relativos à alocação de recursos do Orçamento da União para obras com indícios de irregularidades”, diz a nota. Foi reforçado o controle preventivo. “O Congresso passou a determinar ao TCU que fizesse levantamentos anuais nas obras mais importantes e os informasse para subsidiar a elaboração da proposta de orçamento anual.” As consultorias concluem que as críticas a esse sistema de controle têm contribuído para aperfeiçoá-lo, mas fazem uma ressalva. “É preciso, porém, analisá-las e compreendê-las em toda a sua extensão, pois, às vezes, críticas bem intencionadas, mas com visão parcial do processo, podem levar a situações de maior exposição do erário ao risco, diante de interesses contrapostos na execução de obras e serviços no setor público.” A nota é assinada pelo consultor-geral de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado, Fábio Gondim da Costa, e pelo diretor de Consultoria de Orçamento e Fislização Finaceira da Câmara, Wagner Figueiredo Júnior. Mitos e fatos sobre as paralisações Mito Fato É o TCU que paralisa as obras A prerrogativa de decidir a paralisação é e sempre foi do O TCU está extrapolando a sua Não há quaisquer evidências que comprovem a “extrapolação As tabelas de custos não Os sistemas de custos fixados na LDO são regionalizados por estado e Não interessa se os preços Nas obras contratadas por preços unitários, o contrato inicial não é mais O Congresso para a construção As recomendações submetidas ao Congresso são formuladas com O Congresso para as obras por Os indícios são elementos de comprovação sólidos, demonstrados Fonte: Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado |



