Com apoio de 28 senadores, a oposição apresentou nesta quinta-feira (27) o pedido de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras no Senado.
Agora, cabe ao presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidir sobre o pedido de instalação da comissão que vai investigar suspeitas de irregularidades na estatal como a compra da refinaria de Pasadena (EUA), que envolve a presidente Dilma Rousseff, e a suspeita de que a empresa holandesa SBM Offshore, que aluga plataformas a companhias de petróleo, teriam pago suborno a funcionários da estatal. Técnicos da Casa vão conferir assinaturas e se há fato determinado.
Pelo regimento do Senado, os senadores podem retirar assinaturas do pedido até a meia-noite do dia em que ele for lido no plenário da Casa. A data da leitura é marcada por Renan, aliado de Dilma que declarou publicamente ser contrário às investigações e contemplado recentemente na reforma ministerial da petista. Ele conta com apoio do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que classificou ontem de “imprópria” a instalação de CPI em ano eleitoral.
Renan pode retardar a leitura como estratégia para postergar a criação da CPI. Também tem como alternativa alegar que não há “fato determinado’ para que a comissão seja instalada, mas o argumento é considerado frágil por aliados do governo uma vez que pelo menos três órgãos públicos investigam a compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal: Tribunal de Contas da União, Polícia Federal e Ministério Público.
Apresentado pelo pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, senador Aécio Neves (MG), o requerimento pede apuração sobre a compra da refinaria de Pasadena, sobre suposto superfaturamento de refinarias, irregularidades em plataforma, além da suspeita de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina a funcionários da Petrobras.
TRAIÇÕES
A oposição conseguiu viabilizar a CPI com traições de senadores de partidos governistas e a adesão do PSB do também presidenciável Eduardo Campos (PE). Tendo reunido uma assinatura a mais do que as 27 exigidas.
Agora, o Planalto fará uma ofensiva para que alguns senadores mais alinhados retirem as assinaturas. Caso não consiga, vai trabalhar para que a CPI seja mista (Câmara e Senado). A avaliação é que uma comissão apenas no Senado pode virar palco de campanha para Aécio.
Os alvos iniciais do Planalto serão os governistas Clésio Andrade (PMDB-MG), Eduardo Amorim (PSC-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC). O clima no Planalto na noite de ontem, porém, era de pessimismo, já que há expectativa de que outros senadores também assinem o pedido: Wilder Morais (DEM-GO), por exemplo, que está afastado do Senado, prometeu enviar seu apoio.
Em ano eleitoral, congressistas admitem, nos bastidores, que o pedido pode esbarrar na pressão de empreiteiras, tradicionais doadoras de campanhas, que têm contratos com a Petrobras.
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