União dos Auditores do Tribunal de Contas da União

US$ 3 milhões pagos a Conselheiros e Diretores

Enquanto o trabalhador brasileiro recebia salário mínimo de R$ 350 em 2006, a Petrobras pagou, e muito bem, os trapalhões do conselho administrativo e os diretores que fizeram vistas grossas às cláusulas do contrato com a Astra Oil, que onerou a estatal em US$ 1,2 bilhão na compra da refinaria de Pasadena (Texas).

 

O Annual Report de 2006, ano do contrato, informa que a petroleira desembolsou US$ 3 milhões de bônus e jetons, para os 10 conselheiros e os sete diretores executivos. Cada um levou para casa US$ 176 mil naquele ano – ou, em valores de hoje, cerca de R$ 401 mil.

 

A revelação está na página 131 do report (veja abaixo). Os sete diretores executivos tinham outra vantagem: recebiam salários milionário. E todos os 17 – entre conselheiros e diretores – tinham direito a auxílios-moradia, educação e plano de saúde.

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A capa do Annual Report da Petrobras para investidores em 2006 – balanço entrega muita coisa, mas nem tudo

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A relação dos benefícios para os conselheiros e diretores, na página 131 do Annual Report

 

Entre os conselheiros da compra da refinaria estavam Dilma Rousseff – então presidente do Conselho – a hoje presidente da estatal, Maria das Graças Foster; Nestor Cerveró, recém-demitido e ainda de férias na Europa; e Paulo Roberto Pires, preso há duas semanas pela Polícia Federal por ligação com doleiro na Operação Lava Jato.

 

Hoje, entre os conselheiros da petroleira estão os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento),  Luciano Coutinho (BNDES), além do empresário do setor siderúrgico Jorge Gerdau, e a própria Graças Foster.

 

Dois dos principais ex-diretores da Petrobras quando da aquisição podem depor na Câmara Federal antes da instalação da CPI do Senado. Dia 16, a Comissão de Fiscalização e Controle deve receber Nestor Cerveró, que já revelou que deseja abrir o bico! Ontem, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou requerimentos para convidar Cerveró e Paulo Roberto Pires, o ex-diretor de Abastecimento.

 

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