O esforço concentrado para apreciação de uma série de pendências no Senado, agendado para esta semana – serão 20 proposições analisadas em três dias de plenário, entre vetos, propostas de emenda constitucional (PEC) e projetos de lei – será uma das últimas oportunidades antes das eleições para se notar um movimento intenso de parlamentares no Salão Azul. Após as duas semanas de recesso parlamentar, que se inicia no dia 17, a grande maioria dos senadores embarca na corrida eleitoral e, em que pese o funcionamento formal do Congresso e recebimento regular de salários, não reservarão grande espaço em suas agendas para os trabalhos da Casa.
Um quarto dos atuais senadores (21 dos 81, ou 25,9%) disputará o comando dos governos de seus Estados nas eleições de outubro. E o farão no melhor dos cenários, sem risco: eleitos em 2010, todos estão em meio de mandato, que só termina no fim de 2018, e voltarão à Casa se forem derrotados. O número é bem maior do que o daqueles que, com o mandato por encerrar este ano, buscarão a reeleição, que somam dez senadores. A renovação do Senado para 2014 é de um terço dos parlamentares, ou 27 cadeiras.
No total, quase metade dos senadores em exercício (47%) irá às urnas em outubro. O período eleitoral afastará do Congresso diretamente alguns líderes de suas siglas. A chapa encabeçada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência levará consigo o também senador e tucano Aloysio Nunes (SP). Nomes de relevo do PT, como Delcídio do Amaral (MS), e do PMDB, como Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE), disputarão o comando de seus respectivos Estados. Francisco Dornelles (PP), um dos mais atuantes do Senado, será candidato a vice na chapa do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição.
No Paraná, por exemplo, todos os representantes no Senado estarão comprometidos com a eleição: os senadores Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) são candidatos ao governo, enquanto o senador Álvaro Dias (PSDB) tenta a recondução ao cargo.
A eleição também levará para longe do Congresso os presidentes de algumas das comissões mais importantes da Casa, como Vital do Rêgo (PMDB), à frente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que concorrerá ao governo da Paraíba; e Lindbergh Farias (PT), que preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e concorre ao governo do Rio.
Maiores bancadas do Senado, PMDB (20) e PT (13) terão, cada um, sete senadores na disputa eleitoral, sendo cinco candidatos a governador de cada partido. O PSDB também terá sete senadores em campanha, mas apenas dois deles são candidatos a governador.
Há ainda um bom número de senadores que, se não estarão disputando diretamente o voto do eleitor, embarcarão de corpo e alma no período eleitoral, como Agripino Maia (DEM-RN), escolhido como coordenador-geral da campanha presidencial de Aécio. Romero Jucá (PMDB) terá o filho, Rodrigo Jucá, como candidato a vice-governador de Roraima.
Ou o caso do senador Ivo Cassol (PP) que, condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e oito meses por fraude em licitações, terá a irmã e a esposa como candidatas, respectivamente, ao governo e ao Senado de Rondônia. Isso sem falar na candidatura a deputada federal da ex-madrasta, Scheilla Cassol, outrora casada com seu pai, Reditario Cassol, que por sua vez é suplente do filho senador.
Com o fim do mandato se aproximando, alguns senadores viram melhores condições de disputa descendo degraus na estrutura de poder. São os casos de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Alfredo Nascimento (PR-AM), que disputarão uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ou de Ana Rita (PT-ES), que tentará um mandato como deputada estadual.
Outros 12 senadores encerrarão o mandato e deixarão o Congresso. João Durval (PDT-BA), Pedro Simon (PMDB-RS), Casildo Maldaner (PMDB-SC), Ruben Figueiró (PSDB-MS), Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e José Sarney (PMDB-AP) se aposentam do parlamento.
Seis não obtiveram espaço em suas coligações para concorrer, como o senador Inácio Arruda (PCdoB), sacrificado na montagem do palanque que uniu o PT e os Ferreira Gomes no Ceará.
Teve até rompimento entre senadores de um mesmo partido e Estado. Na Paraíba, Cícero Lucena entrou em conflito com o companheiro de PSDB e de Senado, Cássio Cunha Lima, candidato ao governo, e acabou ficando sem legenda para buscar a reeleição.
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