Brasília – O ex-senador Clésio Andrade, citado pela Polícia Civil do Distrito Federal como suspeito de chefiar um esquema de desvio de dinheiro público no Serviço Social do Transporte (Sest) e no Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), se apresentou na tarde desta sexta-feira, 19, ao Ministério Público de Belo Horizonte e prestou depoimento.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema teria movimentado R$ 20 milhões com o pagamento de gratificações desproporcionais a servidores do Sest/Senat e o uso de funcionários e empresas fantasmas para desviar recursos. Andrade é presidente licenciado da Confederação Nacional do Transporte (CNT), órgão responsável pelo controle do Sest/Senat. A operação São Cristovão, feita em parceria pela Polícia Civil do Distrito Federal, o Ministério Público e a Controladoria-Geral da União, prendeu nesta sexta quatro ex-dirigentes da entidade. Junto com eles, foram apreendidos 16 carros, dois cofres e dinheiro.
Apesar de o depoimento ter sido concedido a membros do Ministério Público de Minas Gerais, o responsável pelo caso é o MP do Distrito Federal e Territórios. O relatório da audiência será posteriormente enviado a Brasília para que seja dada continuidade à investigação.
Réu no mensalão mineiro. Ex-senador e presidente licenciado da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade também foi vice-governador de Minas durante o primeiro mandato de Aécio Neves (PSDB), que atualmente disputa a Presidência. Réu no mensalão mineiro, esquema de desvio de dinheiro de estatais mineiras para abastecer a campanha eleitoral tucana em Minas em 1998, Clésio renunciou ao mandato de senador em julho. Na ocasião ele alegou motivos de saúde. Com isso o processo que tramitava contra ele no Supremo Tribunal Federal deve ser remetido à Justiça Federal em Minas.
Em Brasília, foram presas temporariamente a ex-diretora-geral do Sest/Senat Maria Tereza Pantoja, a coordenadora de Contabilidade, Jardel Soares, a coordenadora de Administração, Nilmara Chaves, e a assessora especial, Anamary Socha. O patrimônio atual das quatro presas gira em torno de R$ 35 milhões. Um total de 16 carros, dois cofres e dinheiro foram apreendidos.
Um dos trinta investigados, que tinha salário anual equivalente a R$ 200 mil, teve um rendimento de R$ 1,6 milhão em 2012. Outro prestador de serviços, contratado para ornamentar plantas dos jardins do órgão, recebeu cerca de R$ 1,7 milhão em um ano. Há também a suspeita sobre um lava a jato, que teria embolsado cerca de R$ 2 milhões em um ano em contratos com o Sest/Senat.
A suspeita sobre o esquema foi levantada quando o ex-senador enviou à polícia explicações sobre o pagamento de gratificações a servidores do órgão. O delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, Fábio Santos de Souza, afirmou que há indícios de que o documento seja fraudado. “Temos informações de que esse ato normativo que define isso (as gratificações) foi fraudado pra tentar justificar o pagamento”, disse Souza. O delegado ponderou que é prematuro afirmar que Clésio tenha cometido crimes.
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